Programa

PUC Rio – Instituto de Direito / Central de Cursos de Extensão CCE PUC Rio

 

CURSO DE EXTENSÃO DELEUZE E GUATTARI FILOSOFIA PRÁTICA VI

PENSAR POLÍTICA

Coordenação acadêmica: Mauricio Rocha [Direito PUC Rio]

 

Modalidade: On-line pela Plataforma Zoom < https://zoom.us/pt-pt/meetings.html >

Aulas ao vivo on-line que serão gravadas e ficarão disponíveis para os inscritos.

Complemento didático com arquivos de áudio (podcasts) sobre temas relativos às aulas.

 

Recursos na rede (obras, fortuna crítica, vídeos etc.)

Curso Deleuze & Guattari filosofia prática <http://criticaeclinica.blogspot.com>

Dossiê Deleuze & Guattari <http://dossiedg.blogspot.com>

 

Objetivo

Propor uma série estudos sobre as obras de Gilles Deleuze (1925-1995) e Félix Guattari (1930-1992), que conjugam de modo original e provocativo domínios variados do saber: das matemáticas à economia política, da antropologia à psicanálise, da política ao direito, das artes plásticas e cinema à literatura.

 

O projeto

Uma das noções norteadoras do pensamento de Deleuze e Guattari é a de que uma filosofia política que se preze, hoje, deve estar centrada na análise do capitalismo e de seus desenvolvimentos. O interesse por Marx, por parte dos autores de O Anti-Édipo (1972) e Mil platôs (1980), é a análise do capitalismo como sistema imanente que se reproduz sempre em escala crescente, incorporando inclusive as forças produtivas que se constituem, originalmente, à sua margem e, no mais das vezes, em resistência a ele. Se essa análise, contudo, desloca a si mesma em relação ao debate marxista, é porque soube criar novos conceitos para pensar a singularidade da experiência política da Europa pós-68. Entre eles, o conceito de linha de fuga (ao invés de contradição) para explicitar os movimentos constitutivos de cada sociedade para além dos regimes jurídicos e institucionais que visam a uniformização e o regramento da vida social. Além disso, o conceito de classe dá lugar ao de minoria, que não se define pelo número, pois ela pode ser mais numerosa que uma maioria. Esta se apresenta como um modelo que procura se impor como norma, enquanto a minoria é antes um processo que uma adequação ao mesmo (modelo): a minoria é um devir-outro, uma ruptura com o mesmo e uma abertura para o novo como processo de criação. O debate político que se propõe se define a partir de uma filosofia prática e passa pela produção de sentido, antes que pela decifração do real. Decifrar o real é encontrar o sentido como dado a priori que já comporta em si um esquema de valores estabelecidos que justifica o real tal como ele é, levando a esquivar-se diante da miséria, resignar-se diante do intolerável. O que se propõe é um pensamento que, na apreensão mesma do intolerável, responda enfaticamente através da produção de novos sentidos e valores, numa prática que renuncie a toda política de compromisso com os valores vigentes que resultam na imensa fabricação da miséria humana, material e espiritual. Em suma, a filosofia de Deleuze e Guattari se apresenta como aliada daqueles que se somam no esforço de pensar, não apenas pela força de seus conceitos, mas também por enfatizar que o pensamento se define enquanto atividade criadora, que não pode ser descolada do mundo que se põe a pensar sem correr o risco de deslizar para ideias gerais pré-concebidas e inócuas. Assim, o pensamento se afirma enquanto prática imanente decorrente das forças da experiência vivida em sua singularidade – pois não há filosofia que não seja filosofia política [Sandro Kobol Fornazari, Doutor em Filosofia, USP; professor do Departamento de Filosofia da UNIFESP]

 


 

Pensar a democracia, os direitos e o Capitalismo

Viviana Ribeiro

Doutoranda em Teoria do Estado e Direito Constitucional, PPG Direito PUC Rio; mestra em Filosofia, PPG Filosofia UFF; graduada em Direito, IBMEC-RJ; Coordenadora e professora do IPIA – Comunidade de Pensamento.

 

Os mal-entendidos a respeito do pensamento filosófico político de Deleuze e Guattari vão desde a perspectiva que exclui o caráter político das obras, até a acusações de que os autores seriam “anarcoliberais”. Certamente tais críticas não alcançam a dimensão radical da análise política realizada pela dupla, afinal de contas se após a Segunda Guerra Mundial os poderes hegemônicos se rearticulam em defesa dos Direitos Humanos como “única possibilidade de paz” e o desejo por uma refundação democrática reaparece como “a democracia é a pior forma de governo com exceção de todas as demais”, como poderiam Deleuze e Guattari dizer: “como se observou frequentemente, os estados democráticos são ligados de tal maneira, e comprometidos com os Estados ditatoriais que a defesa dos direitos do homem deve necessariamente passar pela crítica interna de toda democracia.”? ou: “Os direitos do homem não nos farão abençoar o capitalismo.”? Ou quando formulam, que a democracia é o regime da maioria, do numerável, e assim constituem a axiomática, que tipo de democracia é possível pensar a partir do menor? O pensamento filosófico político de Deleuze e Guattari trata, antes de tudo, de colocar em xeque um regime de direitos, de Estado e de democracia que assume “compromissos vergonhosos com o capitalismo”, pois estão todos relacionados de forma intrínseca e imanente. Se trata, pois, de trazer, para o centro da análise filosófica, a análise do capitalismo. Daí ser necessário o exame sobre a questão democrática e a análise do capitalismo em Deleuze e Guattari – abordando os conceitos de “maior”, “menor”, “devir”, forma Estado, etc.

 

Cronograma

Aula 1. A questão do Estado - Deleuze & Guattari e Marx

Bibliografia

O que é a filosofia? [“Se não há Estado democrático universal, malgrado o sonho de fundação da filosofia alemã, é porque a única coisa que é universal no capitalismo é o mercado. [...] Os Estados nacionais não são mais paradigmas de sobrecodificação, mas constituem os "modelos de realização dessa axiomática imanente. Numa axiomática, os modelos não remetem a uma transcendência, ao contrário. É como se a desterritorialização dos estados moderasse a do capital e fornecesse a este as reterritorializações compensatórias, Ora, os modelos de realização podem ser muito diversos (democráticos, ditatoriais, totalitários...), podem ser realmente heterogêneos, não são menos isomorfos em relação ao mercado mundial, enquanto este não supõe somente, mas produz desigualdades de desenvolvimento determinantes” (p. 128)]; Mil Platôs, Platô 12 ["Problema II: Existe algum meio de subtrair o pensamento ao modelo de Estado?" (p. 45)]; Platô 13 [Proposição XI: O que vem primeiro? (p. 124); Proposição XII: Captura (p. 139); Proposição XIII: O Estado e suas formas]

 

Aula 2. Democracia e direito – “Os direitos humanos não nos farão abençoar o Capitalismo”.

Bibliografia

O que é a filosofia? ["É por isso que, como se observou frequentemente, os estados democráticos são ligados de tal maneira, e comprometidos com os Estados ditatoriais que a defesa dos direitos do homem deve necessariamente passar pela crítica interna de toda democracia [...] Não somente nossos Estados, é cada um de nós, cada democrata, que se acha, não responsável pelo nazismo, mas maculado por ele. Há catástrofe, mas a catástrofe consiste em que a sociedade de irmãos ou de amigos passou por uma tal prova que eles não podem mais olhar um para o outro, ou cada um a si mesmo, sem uma "fadiga", talvez uma desconfiança que se tornam movimentos infinitos do pensamento, que não suprimem a amizade, mas lhe dão sua cor moderna, e substituem a simples "rivalidade" dos gregos. [...]. Os direitos do homem são axiomas: eles podem coexistir no mercado com muitos outros axiomas, especialmente na segurança da propriedade, que os ignora ou ainda os suspendem, mais do que contradizem [...]. Quem pode manter e gerar a miséria, e a desterritorialização-reterritorialização das favelas, salvo policiais e exércitos poderosos que coexistem com as democracias? Que social-democrata não dá a ordem de atirar quando a miséria sai de seu território ou gueto? Os direitos não salvam nem os homens, nem uma filosofia que se reterritorializa sobre o Estado democrático. Os direitos do homem não nos farão abençoar o capitalismo." (pp. 128 e 129)]

 

Aula 3. O fracasso de todas as revoluções – o problema da duração da criação do novo

Bibliografia: Dois regimes de Loucos, “Maio de 68 não teve lugar”; Diálogos, “Políticas”; Conversações, “Controle e Devir”; Sobre o Teatro, “O Esgotado”.

 

Aula 4. “A vergonha de ser um homem” -  Por que Primo Levi escreve literatura?

Bibliografia: O que é a filosofia?, “Geofilosofia”; Crítica e Clinica, “Literatura e Vida”; Primo Levi, É isto um homem?, Os afogados e os sobreviventes.

 

Aula 5. Se a democracia é o regime da maioria, de que democracia que estamos falando? A democracia do menor e da diferença - Deleuze & Guattari e Virginia Woolf

A questão da linguagem; língua menor que invoca o povo que falta; o direito e a diferença: A representação jurídica captura a diferença; O problema da criação e duração de direitos é uma questão de expansão da democracia e não afirmação da identidade, reconhecimento, vulnerabilidade etc.

Bibliografia: Mil Platôs, Platô 13 [Proposição XIII: O Estado e suas formas; “(...) Os constituintes da nação são uma terra, um povo: “natal” que não é forçosamente inato, “popular” que não é forçosamente dado. O problema da nação se exacerba nos dois casos extremos de uma terra sem povo ou de um povo sem terra. Como fazer um povo e uma terra, ou seja, uma nação – um ritornelo? Os meios mais sangrentos e os mais frios concorrem aqui com arrojos do romantismo. A axiomática é complexa e não lhe faltam paixões. É que o natal ou a terra, como já vimos, implica uma certa desterritorialização dos territórios (lugares comunais, províncias imperiais, domínios senhoriais, etc.), e o povo implica uma descodificação da população. É sobre esses fluxos descodificados e desterritorializados que a nação se constitui, e não se separa do Estado moderno que dá uma consistência à terra e ao povo correspondentes. É o fluxo de trabalho nu que faz o povo, como é o fluxo de Capital que faz a terra e seu equipamento. Em suma, a nação é a própria operação de uma subjetivação coletiva, à qual o Estado moderno corresponde como processo de sujeição. É bem sob essa forma de Estado-nação, com todas as diversidades possíveis, que o Estado devém modelo de realização para axiomática capitalista, o que de modo algum equivale a dizer que as nações sejam aparências ou fenômenos ideológicos; ao contrário, as nações são as formas viventes e passionais onde primeiro se realizam a homogeneidade qualitativa e a correspondência quantitativa do capital abstrato”. (MP, vol. 5 da ed. bras., p. 167); Mil Platôs, Platô 4; Dois Regimes de Loucos, textos 17, 26, 34, 48 Virginia Woolf, Três Guinéus, Memórias de uma guilda de operárias.

 

 

Materiais na rede

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Pensar o fascismo – O problema do fascismo na filosofia política de Deleuze e Guattari

Frederico Lemos

Doutorando em Filosofia, PPG Filosofia UFF; Mestre em Filosofia, PPG Filosofia UFF; graduação (licenciatura) em Ciências Sociais, UFF. Membro do grupo de pesquisa “Deleuze: variações, intensidades e ressonâncias” (DEVIR) do CNPq, membro do GT Deleuze vinculado à Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia (ANPOF) e do Círculo de Leitura Spinoza e a filosofia / Niterói.

 

Qual é o tratamento teórico dado ao fascismo nos dois tomos de Capitalismo e Esquizofrenia , de Deleuze e Guattari? Para eles, o conceito de fascismo não se reduz a uma experiência historicamente determinada, a uma forma de Estado ou a uma maneira específica de governar, mas se define pela conversão de uma “linha de fuga” mutante em “linha de abolição” pura, que faz da guerra seu único objetivo, e implica todo o Estado em uma dinâmica “suicidária”. O que está em jogo nesta definição da experiência fascista? Propomos, neste curso, apresentar a teoria deleuzo-guattariana do fascismo como fenômeno micropolítico, que engloba desde a exposição dos dois polos do desejo em O anti-Édipo (1972) até a criação do conceito de “microfascismo” em Mil platôs (1980). Ao fim e ao cabo, perguntamos: qual é o efeito prático de definir o fascismo por sua dinâmica micropolítica?

 

Aula 1: “Por que os homens combatem por sua servidão como se fosse sua salvação?”: o problema fundamental da filosofia política

Textos: Deleuze & Guattari, O Anti-Édipo, cap.1; Espinosa. “Prefácio” ao Tratado Teológico-Político.  

 

Aula 2: O perigo das derivas fascistas: dos dois polos do desejo aos três tipos de linhas

Textos: Deleuze & Guattari, O Anti-Édipo, cap.4; Deleuze & Guattari, Mil platôs, Platô 9.

 

Aula 3: Macropolítica e micropolítica do fascismo

Textos: Deleuze & Guattari, Mil platôs, Platô 9; Diálogos, “Políticas”.

 

Aula 4: Como combater o fascismo? A potência das minorias e o problema da consistência

Textos: Deleuze & Guattari, O Anti-Édipo, cap.4; Deleuze & Guattari, Mil Platôs, Platôs 6, 9 e 11; Guillaume Sibertin-Blanc, “Deleuze et les minorités: quelle ‘politique’?”, Cités, n° 40.

 

Bibliografia

DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix. O Anti-Édipo : capitalismo e esquizofrenia 1. São Paulo:

Editora 34, 2011.

DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix . “Micropolítica e segmentaridade”. In : ______. Mil Platôs :

capitalismo e esquizofrenia 2, vol. 3. São Paulo: Editora 34, 2012. pp. 91-125.

DELEUZE, Gilles & PARNET, Claire. “Políticas”. In : ______. Diálogos . São Paulo: Escuta, 1998.

ESPINOSA, Baruch de. “Prefácio”. In :______. Tratado Teológico-Político . São Paulo: Martins

Fontes, 2003.

FOUCAULT, Michel. “O Anti-Édipo: uma introdução à vida não fascista”. Cadernos de Subjetividade /

v. 1, n. 1. São Paulo: PUC-SP, 1993. pp. 197-200.

GUATTARI, Félix. “Micropolítica do fascismo”. In : ______. Revolução molecular : pulsações

políticas do desejo. São Paulo: Brasiliense, 1985. pp. 173-190.

REICH, Wilhelm. Psicologia de massas do fascismo. São Paulo: Martins Fontes, 2001.

SIBERTIN-BLANC, Guillaume. “Deleuze et les minorités: quelle ‘politique’?”. Cités, n° 40, Paris,

PUF, 2009/4, pp. 39-57.

SIBERTIN-BLANC, Guillaume. “Philosophie politique et clinique du micro-fascisme”. In :______.

Politique et clinique : recherche sur la philosophie pratique de Gilles Deleuze. Tese (Doutorado em

Filosofia). Université Charles de Gaulle Lille 3, Lille, 2006. pp. 913-948.

 

Materiais na rede

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Pensar a multiplicidade

Marcus Vidal

Doutorando em Filosofia, PPG Filosofia PUC Rio; Mestre em Filosofia, PUC Rio e licenciatura em Filosofia, UERJ; Professor de Filosofia no Ensino Médio, Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro; membro do Círculo de Leitura Spinoza e a filosofia / Rio

 

No prefácio da edição italiana de Mil Platôs, em um tom de justificativa frente ao Anti-Édipo, Deleuze e Guattari definem o caráter do segundo tomo de Capitalismo e Esquizofrenia: “É uma teoria das multiplicidades por elas mesmas, no ponto em que o múltiplo passa ao estado de substantivo...”. Passada a obra de Deleuze em revista, o compromisso com uma filosofia das multiplicidades já ostenta uma posição privilegiada nos fins de 60, notadamente em dois registros fundamentais: o de sua “emergência”, no trabalho monográfico sobre Bergson e o de uma posição propriamente “autoral” das multiplicidades, em Diferença e Repetição.  Em primeiro lugar, pretendemos reconstituir a base metafisica e teórica das multiplicidades presente na obra de Deleuze – o que sob uma ótica das multiplicidades esclarece e articula uma série de conceitos centrais: singularidade, criação, acontecimento, individuação, entre outros. Depois, em Mil Platôs, exploraremos o modo como os dois autores investem o conceito no campo prático-político, atravessando os mais variados temas: o “molecular” e o “molar”; o “maior” e o “menor” (minorias); a “máquina de guerra” e o aparelho de Estado; os microfascismos e o fascismo de Estado.

 

Indicações de leitura

 

1) Uma caracterização das multiplicidades

A Crítica aos falsos problemas e o estatuto substantivo das multiplicidades

Texto chave: Bergsonismo

Texto auxiliar: “A concepção da Diferença em Bergson” in Bergsonismo.

 

2) O processo criador: Diferença, singularidade e acontecimento.

A relação entre o virtual e o atual: individuação e atualização.

Texto chave: Diferença e Repetição (caps. 4 e 5)

Textos auxiliares: “O método de dramatização”; “Gilbert Simondon, O indivíduo e sua génese físico-biológicain A ilha deserta e outros textos; Diálogos.

 

3) Os princípios das multiplicidades.

A distinção entre rizoma e árvore.

Texto-chave: Mil Platôs, Platô 1, “Rizoma”

Texto auxiliar: Mil Platôs, Platô 2, “1914 - Um só ou vários lobos”

 

4) Pensar o corpo: as dimensões cinética e dinâmica do corpo.

O que é a imanência: plano de imanência x plano de transcendência.

Texto chave: Mil Platôs, Platô 10. “1730 Devir-intenso, Devir-animal, Devir-imperceptível”. 

Textos auxiliares: “Espinosa e nós” in Espinosa filosofia prática e Espinosa e o Problema da Expressão.

 

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Questões políticas no “primeiro Deleuze”

Rafael Becker

Doutor em Teoria do Estado e Direito Constitucional, PPG Direito PUC-Rio (com período de estudos na Universidade Paris VIII).

 

Nossa proposta consiste em retornar aos textos do “primeiro Deleuze”, produzidos entre 1953 e 1967. Iremos vasculhar e recuperar as elaborações conceituais do período, muitas das quais chegaram praticamente intactas à década de 1990, como no livro O que é a filosofia?, assinado em conjunto com Guattari. Para isso, será fundamental visitar as monografias publicadas sobre Hume, Kant, Nietzsche e Bergon, além dos estudos dedicados a Sade, Masoch e Proust. Daremos especial atenção às formulações políticas que vão surgindo no emaranhado desse corpus textual.

Aula 1

Panorama geral da obra do “primeiro Deleuze” e introdução sobre os seus métodos de leitura. Os conceitos centrais presentes na monografia sobre Hume (Empirismo e subjetividade, 1953): a imaginação, a natureza humana e a instituição. Notas sobre a chamada “teoria do artifício” no campo social. A importância da contraposição entre Hume e Kant (A filosofia crítica de Kant, 1963) na formação deleuziana.

Aula 2

Apresentação do grande esquema conceitual que Deleuze extrai da obra de Nietzsche (Nietzsche e a filosofia, 1962; Nietzsche, 1965). Os elementos de uma teoria das forças: vontade de potência, composições e eterno retorno. O triunfo dos fracos. Avaliação e interpretação como duas operações políticas fundamentais.

Aula 3

A leitura deleuziana de Bergson (O bergsonismo, 1966). Longa elaboração dos conceitos de atual e virtual. Chegar até o elã vital. As noções de “problema” e “possível”. Ressonâncias entre Bergson e Proust (Proust e os signos, 1964). O chamado “empirismo superior” em Bergson e Nietzsche.

Aula 4

O livro sobre Sade e Masoch (Apresentação de Sacher-Masoch, 1967). A comicidade da lei. Contrato masoquista e instituição sádica. Apresentação final sobre as questões políticas no “primeiro Deleuze”: em torno da instituição, à margem da lei e os problemas éticos.

Bibliografia

 

Gilles Deleuze, Empirismo e subjetividade [1953], S. Paulo: Editora 34, 2001.

__________, A filosofia crítica de Kant [1963], B. Horizonte: Autêntica, 2018.

__________, Nietzsche e a filosofia [1962], S. Paulo: Editora n-1, 2018.

__________, Proust e os signos [1964], Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987.

__________, Nietzsche [1965], Lisboa: Edições 70 s/d.

__________, O Bergsonismo [1966], S. Paulo: Editora 34, 1999.

__________, Apresentação de Sacher-Masoch [1967], Rio de Janeiro: Livraria Editora Taurus, 1983.

 

 

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Pensar política

Maurício Rocha

Doutor em Filosofia, PUC Rio; Docente do Departamento de Direito, PUC Rio; Coordenador do Círculo de Leitura Spinoza e a filosofia / Rio e Niterói.

 

Félix Guattari e eu permanecemos sempre marxistas, talvez de dois modos diferentes, mas permanecemos os dois. Não acreditávamos numa filosofia política que não fosse centrada na análise do capitalismo e de seus desdobramentos. O que mais nos interessa em Marx é a análise do capitalismo como sistema imanente, que não deixa de repelir seus próprios limites, e que os reencontra sempre numa escala maior, porque o limite é o próprio Capital”.

 

O pensamento político de Deleuze e Guattari costuma ser negligenciado em favor de análises que separam seus enunciados filosóficos de suas implicações (macro) políticas, em um processo de elisão que não deixa de ser sintomático sobre a recepção do pensamento de ambos. Com isso, se desfaz uma característica do agenciamento Deleuze-Guattari, que é a supressão das fronteiras entre filosofia, estética e política – quando simplesmente não se ignora a trajetória teórica, política e institucional de Guattari e sua contribuição ao trabalho conjunto. Pois a obra elaborada em comum voltou-se para uma série de problemas contemporâneos cruciais, como os vínculos entre processos econômicos e as estruturas de poder social e estatal, de um ponto de vista geoeconômico, geopolítico – em uma economia política que não descuidava da economia libidinal e vice-versa. E quando certos problemas (a crítica à psicanálise, a forma-Estado, a soberania, a relação entre violência e direito, a guerra, os usos da etnografia e da arqueologia, da história das técnicas e das ciências etc.), e conceitos (como desejo, máquina, agenciamento, desterritorialização, devires, plano de consistência, Corpo sem Órgãos etc.) são dissociados dessa perspectiva, nos arriscamos a exercícios de abstração que levam a inúmeros contrassensos sobre a originalidade da obra de ambos. Propomos aqui um percurso sumário da constituição do pensamento político da dupla.

 

O método e o “spinozismo político” de Gilles Deleuze e Felix Guattari (a lógica da potência)

Textos de referência: Bergsonismo, capitulo 1; O Anti-Édipo, cap. III, Mil Platôs, Platôs 9, 12 e 13; Espinosa e o Problema da Expressão, Parte I e cap. XVI; Espinosa filosofia prática, cap. VI.

 

A forma Estado como “delírio da ideia”

Textos de referência: O Anti-Édipo, cap. III, Mil Platôs, Platôs 9, 12 e 13; Crítica e clínica, Cap. VI, XV, XVI.

 

Instituição / Contrato; Dívida / Troca; Máquina de guerra / forma Estado

Textos de referência: “Instintos e instituições” in A ilha deserta e outros textos; Presentação de Sacher-Masoch; “Post scriptum sobre as sociedades de controle” in Conversações; Mil Platôs, Platôs 12 e 13; F. Nietzsche, Genealogia da Moral, Segunda Dissertação; Pierre Clastres, A sociedade contra o Estado.

 

Uma geopolítica da filosofia, uma geofilosofia política (Imagem do Pensamento, Rizoma, Noologia)

Textos de referência: Nietzsche e a Filosofia, cap. 3, 15; Proust e os signo, conclusão; Diferença e repetição, cap. III; Mil Platôs, “Rizoma”; O que é a filosofia, “Geofilosofia”.

 

Capitalismo & esquizofrenia

Textos de referência: O Anti-Édipo, cap. III; Mil Platôs, Platôs 9, 12 e 13; Diálogos, “Políticas”; Cinema 2 – A imagem tempo, cap. 8, “Cinema, corpo, cérebro, pensamento”; Foucault, “Um novo cartógrafo”; “Anexo”.

Psicanálise e transversalidade; Micropolítica – cartografias do desejo.

 

Materiais na rede

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Cronograma das Aulas