Programa

1. Cineastas precursoras fizeram do cinema um campo fértil de experimentação estética e crítica social. Filmes, métodos e o histórico. Alice Guy: a pioneira que a história do cinema esqueceu. Esfir Choub e a montagem de imagens de arquivos. O cinema de vanguarda de Germaine Dulac. Maya Deren e o surrealismo. Em diálogo com o melodrama e o noir: Ida Lupino e os temas controversos.

2. Questões da pauta feminista são discutidas em filmes realizados por mulheres. Os movimentos de libertação feminina em Carole Roussopoulos e Delphine Seyrig. O aborto, a liberdade do corpo e das relações amorosas em Agnes Varda. A quebra dos clichês do espaço doméstico em Chantal Akerman e Barbara Loden.  Sara Gomez e o patriarcado em Cuba.

3. Censura, propaganda, resistências e reflexões de cineastas em regimes autoritários. Vera Chytilová e a crítica ao regime comunista. Kira Mouratova e a censura do regime soviético. Como a ditadura militar afetou cineastas brasileiras: Tereza Trautman, Ana Carolina e Helena Solberg. Elaborando memórias da ditadura: Lúcia Murat, Flávia Castro, Anita Leandro, Maria Clara Escobar.


4. O cinema de si para o mundo. Ensaio e autobiografia. O espaço privado em cena. A precursora Agnes Varda. A relação com o mundo mediada pela câmera em Naomi Kawase. O uso das imagens domésticas e de arquivo.

5. O cinema lésbico em Barbara Hammer, Su Friedrich, Cheryl Dunye.


6. Raça, cultura e atravessamento de fronteiras. A mulher negra como espectadora e cineasta (bell hooks), Kbela de Yasmin Thainá. Trinh T. Minh Ha e o questionamento de lugares e saberes. Claire Denis e os imigrantes.


7. As mulheres no documentário brasileiro contemporâneo e o enfrentamento de questões como a violência, as políticas sociais, a justiça, as desigualdades sociais: Maria Augusta Ramos, Juliana Antunes, Maíra Buhler, Camila Freitas e tantas outras.

Bibliografia

         BÉNÉZET, Delphine. The cinema of Agnes Varda – resistence and eclecticism. Nova York: Columbia University Press, 2014.

         CONWAY, Conway. Agnes Varda. University of Illinois Press, 2015.

         _____. “The New Wave in the Museum: Varda, Godard, and the Multi- Media Installation.” Contemporary French Civilization 32, no 2. KLINE, Jefferson (ed.). Interviews (Agnes Varda). University Press of Mississipi, 2014.

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HOLANDA, Karla e TEDESCO, Nina. Feminino e plural: mulheres no cinema brasileiro. Campinas, SP, Papirus, 2017.

HOLANDA, Karla. Documentaristas brasileiras e as vozes feminina e masculina. Revista Significação, vl.42, 2015.

HOOKS, Bell. Olhares negros: raça e representação. São Paulo, Elefante, 2019.

Kaplan, Ann.E. A mulher e o cinema: os dois lados da câmara. Rio de Janeiro: Rocco, 1995.

MARGUILES, Ivone. Nada acontece: O cotidiano Hiper-realista de Chantal Akerman. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2016.

Mulvey, Laura. “Prazer visual e cinema narrativo (1975)”. in: Xavier, I.(org.). A experiência do cinema. 4° ed. Rio de Janeiro: Edições Graal Embrafilme, 1983.
Stam, Robert. Introdução à teoria do cinema. Campinas: Papirus, 2003.

OLIVEIRA, Janaína. Kbela e Cinzas: o cinema negro no feminino do “Dogma Feijoada” aos dias de hoje. In: AVANCA CINEMA 2016. Avanca: Edições Cine-clube Avanca, 2016.

VEIGA, Ana Maria. Cineastas brasileiras em tempos de ditadura: cruzamentos, fugas, especificidades. Tese de doutorado. Universidade Federal de Santa Catarina, 2013.  https://core.ac.uk/download/pdf/30384143.pdf

WILLIAMS, Tami. Germaine Dulac: A cinema of sensations. University of Illinois, 2014.