Programa

O livro Respiração Artificial, de Ricardo Piglia, traz muitas e variadas referências literárias. Tardevsky, um dos personagens, diz: “Ninguém lê. Ninguém sabe ler. Porque para ler é preciso saber associar.”

A ideia deste curso é esmiuçar algumas das leituras e autores que estão no livro, experimentando as conexões e associações propostas por Piglia.  Uma leitura puxa a outra, como diz o autor.

Exercícios de escrita serão propostos a partir das leituras.

Seguindo o Respiração Artificial, leremos os seguintes autores:

- Eliot, a experiência do passado no presente

- Tinianov, a linguística, estrutura subterrânea

- Bernhard, a sombra, a influência/leitura do momento, a citação cifrada

- Gombrowicz, o que permite a leitura de Arlt em contraponto a Borges, o erudito europeu que mostra ao “mundo letrado nativo” a importância da baixa cultura, numa operação inversa à habitual, ensinar a “desler”, a entender a apropriação “bruta” de Arlt em oposição à apropriação sofisticada de Borges, a volta a Macedonio para chegar a Arlt

- Joyce, il miglior fabro

- Kafka, o que escreve o indizível, o profeta

- Wittgenstein, o delimitador da linguagem, tensão em relação a Kafka (e relação submersa, no livro, com Thomas Bernhard, um curso de associações)

- Benjamin – pensar que o Respiração Artificial é um romance absolutamente benjaminiano e que o epíteto de Tardewski é citação de/sobre Benjamin: gostaria de escrever um livro só composto de citações (DJ Shadow – teoria sampler)

(Silviano e Uma literatura nos trópicos)