Programa

PARTE 1. PRESENÇAS

. A Dignidade Humana: o Valor do Ser Humano ? (3h) 10/09/16

Prof. Dr. Antonio Pele (Departamento de Direito, PUC-Rio)

A dignidade humana representara o valor inerente e absoluto de todos os seres humanos. Numerosos textos internacionais e nacionais abundam nesta linha. A Declaração Universal de Direitos humanos (1948) abre-se com o “reconhecimento da dignidade intrínseca e dos direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana” e várias referências à dignidade humana como fundamento dos direitos humanos aparecem, por exemplo, nos artigos 1, 22 e 23. A Convenção Americana sobre Direitos Humanos (1969) protege a “dignidade inerente ao ser humano” e particularmente em matéria de privação de liberdade e de proteção da integridade pessoal (art. 5, 6 e 11). A própria Constituição Brasileira define a dignidade da pessoa humana como um dos princípios fundamentais (art. 1). A dignidade humana expressaria um suposto valor inerente e comum a todos os seres humanos. Mas, dito isso: como entender essa natureza humana, base de nosso valor como “humanos” ?  Nesse modulo, queremos ver como a dignidade humana foi construída historicamente e filosoficamente, por meio de autores como por exemplo,  Kant, Descartes, Pascal, Pico della Mirandola e Foucault .

O Humano Moral: os Valores Morais sob a Perspectiva Interdisciplinar (3h) 17/09/16

Prof. Dr. Ivar Hannikainen (Departamento de Direito, PUC-Rio)

Discutir a natureza humana, a moral ou a normatividade sempre foi sinônimo de filosofar. Entretanto, em décadas recentes varias questões filosóficas, desde identidade e autonomia até moralidade e altruísmo, têm sido abrangidas pelas ciências naturais e sociais. Surge dessa abordagem a possibilidade – promissória para alguns e arriscada para outros – de uma nova compreensão interdisciplinar do humano, sua natureza e seus valores.

Este módulo pretende percorrer alguns dos principais logros desse dialogo entre a filosofia e as ciências comportamentais, e discutir o possível impacto social dessa classe de conhecimento: Quais são os respectivos papeis dos sentimentos e do raciocínio na ética e na cooperação? Os valores morais são meramente aprendidos ou têm um fundamento natural? Estas descobertas podem ter alguma função social, na educação para a cidadania e no desenho de instituições publicas, ou se tratam de um mero exercício acadêmico? Por meio destas e outras questões, o modulo visa contribuir à compreensão do humano moral, inspirada na reflexão filosófica e baseada na evidencia empírica.

A Ideia de Homem em Spinoza: a Socialização dos Afetos e a Instituição dos Direitos. (3h) 24/09/16

Francisco de Guimaraens  (Departamento de Direito, PUC-Rio)

Spinoza e os afetos. O mimetismo afetivo e a socialização dos afetos. As coisas semelhantes a nós. A vida propriamente humana e a instituição dos direitos. O homem livre e a sociedade comum dos homens.

PARTE 2. ENERGIA

. A Dimensão do Conhecimento Humano, Infinitamente Pequeno, Infinitamente Grande (3h) 01/10/16

Prof. Dr. Tommaso Del Rosso, (Departamento de Física PUC-Rio)

Prof. Dr.  Daniele Fulvio (Departamento de Física PUC-Rio)

Este módulo visa a explorar o conhecimento que o ser humano tem sobre a natura física da realidade, desde o “infinitamente” pequeno até o “infinitamente” grande. O homem ao longo de séculos desenvolveu ferramentas teóricas e tecnológicas que ultrapassam as capacidades e os limites físicos do ser humano, para observar e entender fenômenos astronômicos assim como fenômenos que acontecem em pequena dimensão. As implicações deste amplo conhecimento na nossa vida quotidiana são enormes, e se realiza com a introdução de novas tecnologias a disposição da sociedade (GPS, previsões climáticas, nanotecnologias), e a continua mudança dos nossos limites e nossos costumes. O rápido desenvolvimento das nanotecnologias leva a realidade possibilidades até agora só imaginadas em fiction cientificas, como o homem invisível, casas “voantes”, até chegar a um maior e objetivo conhecimento sobre a origem da vida.

. O ser humano desde a Física Quântica e a Teologia 08/10/16

Prof. Dr. Isidoro Mazzarolo (Departamento de Teologia, PUC Rio)

A teologia dialoga com as ciências humanas, com a política, com a antropologia, economia e ecologia. Repensar o humano sob a perspectiva da religião é investigar a importância do ser humano no cosmos como um dos guardiães do bem comum, da harmonia e da convivência de todas as criaturas. Vinculando a religião com a espiritualidade na perspectiva do conceito de rede na Física Quântica, o estudo se debruça sobre a importância e a responsabilidade de cada indivíduo no cosmos independente da sua confissão religiosa ou da sua indiferença. Cada um de nós tem sua parcela de responsabilidade no que faz ou deixa de fazer em prol do outro e do cosmos.


. Equilíbrio e Vida: o Ser Humano desde a Química (3h) 22/10/16

Prof. Dr. Omar Pandoli (Departamento de Química PUC-Rio)

A  química como a física tenta de dar um contributo para responder a uma pergunta fundamental: como começou a vida? A evolução da vida da matéria inanimada (inorgânica) à matéria biológica (orgânica) apresenta uma dos desafios mais importante da nossa época científica. A propriedade de auto-montagem de moléculas simples pela constituição de uma célula biológica aparece ser a primeira etapa onde podemos reconhecer a Vida. Uma célula, como qualquer outro organismo mais complexo até o ser humano, troca com o ambiente externo: energia, informação e matéria.  Esta troca permite de sustentar a própria vida no meio do ambiente externo. Compreender que todos os seres vivos são em equilíbrio com a madre natura é a primeira conscientização para uma vida sustentável em homeostase com a natureza.

 
PARTE 3. CORPOS

. Cultivo de Sentimento Público ou Fabricação Corporal? Reflexões sobre Subjetivação e Felicidade a partir de Hannah Arendt (3h) 29/10/16

Prof. Dra. Bethania Assy (Departamento de Direito, PUC-Rio)

A tentativa de escapar à inexorabilidade de eventos históricos irreconciliáveis, e ao próprio desnudamento da vulnerabilidade da condição humana, levaram as sociedades contemporâneas, segundo Arendt, a um robustecimento da esfera privada. De fato, a sobrevalorização da experiência interior paulatinamente ocupou a esfera pública, inflacionando o espaço coletivo com interesses privados, idiossincrasias individuais, e satisfações pessoais. O atrofiamento de nossa capacidade de imaginar aquilo que diz respeito aos homens somente em pluralidade chegou a tal ponto que falar de sentimentos públicos já não faz qualquer sentido, muito menos quando se trata de definir a felicidade. A privatização do nosso imaginário às puras satisfações pessoais nas sociedades atuais encontra no corpo, justamente o espaço menos compartilhado, que menos diz respeito à esfera coletiva, a consagração do nosso aprazimento. Um possível diagnóstico seria: o confinamento à vida corporal do espaço derradeiro da felicidade, o deslocamento de nossa confiança no espaço público para o interior do corpo, e a transferência à esfera coletiva da responsabilidade por nossas satisfações privadas. Ao contrário da valorização da imagem corporal, o que está por detrás da valorização Arendtiana do espaço público da aparência é fornecer um fórum para a liberdade humana entendida não como horizonte das experiências interiores, mas como um espaço do exercício da virtuosidade pública, visando uma nova simbologia cultural baseada em uma forma pública de vida.

. Repensar o Humano pelo Corpo: Teatro (3h) 12/11/16

Prof. Dra. Alessandra Vannucci  (Direção Teatral da Escola de Comunicação/ Pós-Graduação em Artes da Cena , UERJ)

Nossa forma de aprendizado passa pela apreensão e re-apresentação da experiência sensível, em uma dupla ação de fazer e, ao mesmo tempo, se ver de fora, enquanto faz. Sendo assim, o ser humano se constrói enquanto subjetividade tríplice: eu-na-situação, eu-que-me-observo, não-eu. È significativo que na cultura ocidental, o teatro (arte da representação) tenha surgido simultaneamente à filosofia (conhecimento de si). Todos os seres humanos “atuam” um ou muitos corpos, realizando percursos de re-educação dos sentidos, diante das mais diversas situações, por vezes em busca de uma “autenticidade” que não corresponde a espontaneidade, mas ao “savoir faire” necessário para a vida. 

Por outro lado, o corpo é um território em disputa – um território que o poder ambiciona colonizar, reificar, enquadrar e controlar através de uma imposição sorrateira de hábitos, gestos, modos de se vestir e de conduzir relações; os quais vão sendo incorporados à medida que os indivíduos aprendem a assumir o gênero, classe, religião, opção sexual, etc., que a sociedade lhes reserva. Este, porém, não é o único tipo de força que formata um corpo. Há, também, o reconhecimento de si neste ou naquele padrão corporal, produzindo, uma aguda consciência de erroneidade, estranheidade, exclusão. Assim, a performance da vida cotidiana é uma prática de autoenquadramento, mas também, em segunda instância, por meio do exercício voluntário e consciente de re-educação dos sentidos que conhecemos como arte, pode vir a ser uma prática de desenquadramento e repensamento do humano pelo corpo.

PARTE 4. MUTAÇÕES

. Arte Moderna e Crise do Humanismo (3h) 19/11/16

Prof.  Dr. Sérgio Martins  (Departamento de Historia, PUC-Rio)

Ao desvencilhar-se paulatinamente de um quadro de referências oficiais - sobretudo Igreja e Estado -, a arte tornou-se um campo atravessado pelas diversas narrativas sociais, políticas e filosóficas que pautaram a modernidade e o modernismo. A emergência e crise de uma gama de valores e de um léxico artístico legado pelo humanismo é um vetor fundamental de compreensão deste processo. Discutiremos tais questões através de três momentos históricos relevantes: a afirmação do humanismo na arte renascentista; a representação da virtude cidadã no neoclassicismo francês, bem como sua resposta à crise das instituições estatais e à progressiva constituição de uma esfera pública burguesa; e, por fim, algumas das diversas ressurgências e crises da ideia do humano na arte moderna. Dando especial atenção a este último tópico, abordaremos ainda a referência ao humano no contexto da crise do próprio modernismo e do surgimento da arte contemporânea, tomando como exemplo, entre outras, obras de  Lygia Clark, Antonio Dias e Cildo Meireles.

O Humano Virtual: Evolução e Identidade na Era do Internet (3h) 26/11/16

Prof. Dr. Florian Hoffman   (Departamento de Direito, PUC-Rio)

Este módulo visa a explorar o significado do ‘humano’ numa época cada vez mais marcada pela virtualidade. Tendo já ultrapassada, há tempo, uma mera relação instrumental com o humano físico-material, ela pode ser visto como um passo evolutivo que complementa e, desta forma, gradativamente altera a própria identidade humana, com efeitos profundos tanto sobre a auto-percepção de cada um, quanto sobre a sua relação com outros. Trata-se, no entanto, de um processo complexo que ainda não é bem entendido e, em função disso, ainda carece, em grande parte, de um marco regulatório. De fato, confronta o direito com questões desafiadores acerca do reconhecimento das novas formas de identidade virtual, da (re-)definição e proteção da dignidade humana (virtual), da concepção da participação democrática, da expressão de opinão, e da segurança virtual, para levantar somente algumas. Este módulo procura apresentar uma visão geral do cenário regulatório que se apresenta e pretende discutir as diversas modalidades formais e substanciais que se oferecem a respeito.

. Repensar o Humano  sob a Perspectiva de Gênero (3h) 03/12/16

Prof. Dra. Marcia Nina Bernardes  (Departamento de Direito, PUC-Rio)

Os últimos anos têm sido de debates e conflitos intensos na esfera pública brasileira (e mundial). Pautas conservadoras e pautas progressistas vêm disputando terreno nos corações e mentes de brasileiros. Dentre estes debates, o feminismo e a questão de gênero, em geral, ganharam espaço nas redes sociais através de campanhas como “meu primeiro assédio” e “chega de fiu fiu”.  Por um lado, discute-se, com uma visibilidade antes não experimentada, sobre violência doméstica, feminicídio, assedio, violência obstétrica, união estável entre pessoas de mesmo sexo, mudança de registro civil para transexuais e muitos outros temas relacionados a articulações entre “feminino” e “masculino”, identidades e direitos. Por outro lado, fala-se da ascensão de uma “ideologia de gênero” que destruiria famílias. Por que categoria “gênero” parece tão ameaçadora para alguns? Com efeito, nosso gênero é uma das marcas que nos tornam humanos. Somos humanizados na medida em que temos um gênero reconhecido. Não é a toa que esta é sempre a pergunta primeira em relação a toda criança que nasce. Mas, afinal, o que é “ser mulher” ou “ser homem”? Podemos admitir outras identidades? O que Simone Beauvoir quis dizer quando celebremente afirmou que “Não se nasce mulher, torna-se mulher”? Quais são as relações de poder entre os gêneros? Como podemos pensar “gênero” em relação ao Estado e ao Direito? Por que Judith Butler afirma que “gênero” não é algo que somos, mas algo que fazemos?

. Ultima aula: fechamento do curso(3h)10/12/16

Prof. Dr. Antonio Pele (Departamento de Direito, PUC-Rio)